Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Feliz Ano Novo, Barradão.




Fui até convencido pelo amigo Alexandre Lyrio em coluna do Correio* que torcedor de radinho e tv não ama menos, mas ontem no Barradão presenciei uma dessas cenas que só a arquibancada de estádio conseguem proporcionar. Na hora da substituição de Uellinton alguns mantiveram as vaias, apesar dois dois tentos marcados. A partir daí iniciou-se um bate boca.

O defensor de Uellinton havia começado o jogo o criticando, e aparentando ter ânimos similares a Apodi e Rildo, foi mudando no decorrer, e passou a declarar amor pelo volante originário da base: "Eu te amo Uellinton", dizia, e ao mesmo tempo corria de um lado para outro da arquibancada.

Enquanto a discussão rola, o juiz marca penalidade máxima em Rildo. A discussão para, os torcedores ao redor tentam desfocar a briga. Mas o danado do juiz volta atrás, a briga retoma, e o doidinho passa alfinetar o emburrado: "Você não faz amor". O problema é que o cara estava com a esposa e filha, todos rubro-negros fanáticos. Se esquenta mais ainda, alega desrespeito a sua companheira, aparece polícia para acalmar.

O chateado, lembra de ter me consolado aos prantos no finado jogo Vitória e São Caetano. As dores e rancores ainda estavam impregnados no Barradão. A esposa também se diz indignada, diz ter levado a filha na barriga e de colo pro estádio, pensa em não voltar mais.

O jogo segue, Neto Baiano perde um pênalti, gols são perdidos. Até que no final as redes voltam a balançar com Lúcio Flávio. Um amigo comenta: "Esse é para tirar a zica". Festa nas arquibancadas, e o doidinho, que havia se saído por orientação da polícia, retorna. Pede desculpas ao casal... Comento: "Dá uma beijinho"... "Agora dá nele também"... paz selada... É quando Neto Baiano marca o sexto, o terceiro dele na partida. Sinais de novos tempos no Barradão. Afinal, só ao final da Série B, contra o Salgueiro, o Vitória jogou com a mesma alegria de ontem.

Ps: 1 - Uellinton é um jogador que se quer merecia discussão entre torcedores. A declaração dele ao final é sinal que não quer continuar no clube, e principalmente, não tem o menor respeito pela torcida.

Bahia que teima ser província

Eis a Bahia...

Seu principal quadro nacional retoma para fincar as bases de transformações do governo J. Wagner, e muito mais que isso, apontar um futuro desconhecido para região ainda atrasada nas questões sociais e principalmente na infraestrutura, ciência, tecnologia, na mentalidade. Gabrielli retorna para fazer do seu estado não uma passagem de verão, como muitos artistas e intelectuais fazem. Não uma mera alegoria "jorgeamadiana", uma ilha, um paradigma esgotado. Ele poderia ir para um posto internacional, viver prestando consultoria no Oriente Médio ou na China. Aliás, ele foi responsável por não deixar a Petrobrás cair no discurso privatista, e torná-la símbolo de um país que ingressou entre as potências mundiais. Poderia ser facilmente ministro federal. Ha, a Bahia? Poderia ser apenas para tomar água de coco, comprar uma casa na ilha de Itaparica e esperar a ponte ficar pronta.

Mas eis que a Bahia, ao invés de preparar os confetes, prepara o punhal para o seu retorno. Nenhuma liderança política, mesmo do seu partido, se antecipa para defender Gabrielli. Talvez alguns queriam, primeiro, ter garantia de qual secretaria terão caso ele seja governador em 2014. Outros ainda almejam ser candidato, mesmo que seja na base do pagar 100 para o vizinho não ganhar 50. Por enquanto, versa o discurso da Globo, que o tratou como mera indicação política de Lula, que deixou a Petrobrás em baixa num mercado financeiro - sem credibilidade. E isso é reverberado por blogs locais de quinta categoria, ou mesmo opositores como Geddel Vieira Lima. Bem vindo Gabrielli, você retorna a Bahia. Ao que já passou incólume por crises de dois governos, terá aqui a sua principal prova da vida: continuar a querer transformar o lugar que ama, mas que teima ser uma província.

Domingo, Maio 15, 2011

Com tiranos não combinam rubro-negros corações!


Com tiranos não combinam rubro-negros corações!
ou o Fim da Era Barradas II

Sinceramente, senti poucas emoções nesta final trágica contra o Bahia de Feira. Todos os gritos que lancei nas arquibancadas foram de fundo basicamente racional, contra a diretoria e o técnico. Por alguns instantes achei que o torcedor acompanha a atual gestão num tom alienado. Nenhum protesto, somente críticas sem emoção e dispersas em jogadores, técnico e até no juiz. Não havia se quer um clima fúnebre ao sair do Manuel Barradas

Depois pensei bem... . O que estava em falta era a paixão. Sim! Os rubro-negros em 2011 estão sem apego aos jogadores, as cores, aos cânticos e ao estádio. Sim, a torcida do Vitória precisa de motivação, ser cativada, acolhida. Foram cinco anos de gás descomunal entre a Série C e a final Copa do Brasil. A direção não soube aproveitar o embalo, continuou a desqualificar o público no estádio, não contratar bons profissionais, não fazer ações de marketing. A torcida cansou, não sente a recompensa de atravessar a cidade num aguaceiro, pegar engarrafamento, ruas estreitas e ônibus cheio para ver uma final insossa.

Continuo a achar que a Era Barradas chegou ao fim. Não apenas o estádio, ultrapassado e já carregado de decepções. Mas também o comando do clube por sobrenomes como Portela, Tanajura, Falcão, Rocha, Barradas e etc. O Vitória deixou de ser um clube segmentado, decidido por famílias em tom amador. Agora é fato, os dirigentes comandam uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do país.

Paulo Carneiro era um "novo rico" sem a veia aristocrática, capaz de idéias mirabolantes para estimular a massa, além de tato empresarial fundamental ao futebol. Após a sua saída parecia ser o fim da época dos tiranos. A torcida, talvez como numa antes em sua história, tinha assumido os rumos do clube. Porém isso se limitou as arquibancadas, aos salões dos aeroportos e as ruas da cidade.

Faltou àqueles que dirigem a capacidade de responder aos anseios. Criar mecanismos para a paixão ser materializada no dia a dia do clube e propiciar as conquistas almejadas. Sinto que os briosos rubro-negros herdaram desta terra o desejo por fazer das suas mãos transformações vinculadas ao mais fresco espírito do tempo, como na Revolta dos Búzios.

Eis que o Movimento Somos Mais Vitória se apresenta como alternativa para dar liberdade a essa paixão estancada. Se por enquanto não é possível uma participação mais igualitária e principalmente conquistas, é a hora de radicalizar, porque o lema é: Com tiranos não combinam / Rubro-negros corações!

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2011

A notícia censurada na imprensa baiana. 21/02/2011

Rubro-Negros tratam resultado com sarcasmo

A derrota por 2x0 no clássico foi tratada com sarcasmo pela torcida rubro-negra no estádio de Pituaçu. O trio de arbitragem comandado por Jailson Macedo foi o maior alvo das brincadeiras e xingamentos. No final do primeiro tempo, enquanto os jogadores tentavam intimidar o árbitro, as ofensas nas arquibancadas foram no tom corriqueiro: "ladrão, ladrão", por não ter marcado um suposto pênalti em Elkson e duvidosa falta em cima de Nino no lance que originou gol de Marcone. Nos 45 minutos finais os lances polêmicos voltaram a circundar o BaxVi. Uellinton foi expulso por agredir o rival em campo, Jailson Macedo não viu o lance e só consultou o bandeirinha - que viu a jogada - após levantar a tarjeta vermelha. Minutos depois pênalti para os donos da casa, pairou-se a dúvida e o lateral Ernani pegou primeiro na bola, mas foram poucas as reclamações. Na primeira cobrança Viáfara pegou o chute fraco de Ávine, mas o auxiliar mandou retornar, alegou que o goleiro estava adiantado. A partir de então "armação" e "marmelada" foram termos proferidos exaustivamente pelo lado rubro-negro. Ávine marcou na segunda tentativa, mas não calou os visitantes, que gritaram até o final como se estivessem levando os três pontos para o Barradão. Pra completar a festa, a cada falta cometida pelo Vitória e marcada por Jailson, palmas. Já as infrações tricolores eram respondidas com vaias. Ao final do tempo regulamentar o Vitória já estava com dois jogadores a menos - Neto Baiano também foi expulso - o Bahia tocava bola no seu campo de defesa e Jailson pediu a bola sem dar os devidos acréscimos pelas paralisações.

Segunda-feira, Fevereiro 07, 2011

O texto mais nojento de Danuza Leão


Folha de São Paulo, domingo, 06 de fevereiro de 2011.
DANUZA LEÃO

Luta de classes

Aprendi que a luta de classes começa dentro de casa, e mais especificamente, dentro da geladeira


HÁ UNS DOIS ANOS tive uma diarista que começava a trabalhar muito cedo -por escolha dela; às 6h ela já estava em minha casa. Uma morenona bem carioca, simpática, risonha, disposta, sempre de altíssimo astral.
Gostei dela, e como detesto fazer ares de patroa -e não sei-, tínhamos uma relação amistosa e legal, como devem ser todas as relações. Algum tempo depois, comecei a fazer aula de natação em um clube que fica a uns 500 metros de minha casa. A aula era às 7h, mas e a preguiça? Preguiça de levantar da cama, e enfrentar a distância ficou difícil. Tive então uma ideia: levá-la comigo. Assim, teria companhia para ir e voltar, e seria mais fácil a caminhada. Vamos deixar bem claro: não foi nem um ato de gentileza de minha parte, nem pensei apenas em meu proveito.
Achei que seria bom para as duas, e ela, que talvez nunca tivesse entrado numa piscina, ia adorar.
Perguntei se gostaria, ela ficou toda feliz, e, a partir daí, todos os dias íamos juntas, conversando.
Eu pagava minha aula e a dela, e às 8h30 estávamos de volta, alegres, falando sobre nossos progressos. Já que não posso mudar o mundo, pensei, estou exercendo o socialismo -ou a democracia- pelo menos em meu território. Mas notei que a cada vez que contava isso para os amigos, nenhum deles dizia uma só palavra; nem para achar que tinha sido uma boa solução, nem para ficar contra, nem ao menos para achar alguma graça. Silêncio geral e total.
O tempo foi passando. Comecei a perceber pequenos desvios no troco, às vezes dava por falta de uma das três mangas compradas na feira, os picolés que guardava no freezer desapareciam, os refrigerantes e sabonetes também, e eu pensava: "tem dó, Danuza, afinal ela toma duas conduções para vir, duas para voltar, a grana é pouca, se ela fica com oito ou dez reais da feira, é distribuição de renda. E se comeu metade do Gruyère, dizer que o queijo francês é só seu, é um horror"; e assim fomos indo.
Fomos indo até que um dia viajei por um mês, e quando voltei, houve problema com um cheque; coisa pouca, mas ficou claro, claríssimo, que tinha sido ela, e tive que demiti-la, o que aliás me custou bem caro, em dinheiro e pela deslealdade. Depois da demissão, fui descobrindo coisas mais graves -e nem vou contar todas, só uma delas: nos fins de semana, ela vinha com o marido, punha o carro na garagem do prédio e o casal passava o fim de semana na minha casa.
Depois de recibos assinados, tudo liquidado, chegou a conta do telefone do mês em que estive fora: havia 68 ligações para um único celular. Liguei para o número e soube que era de um funcionário do clube de natação, que ela paquerava.
Quando entrou a substituta, tive que comprar lençóis, toalhas e um monte de coisas que ela havia levado. Sei que não sou um modelo de dona de casa, mas alguém conta todos os dias quantos lençóis tem? E tranca os armários? Não eu. Durante um bom tempo fiquei mal: pela confiança, pela traição, depois de quase dois anos de convivência. E agora?
Não sei. Afinal, somos ou não somos todos seres humanos iguais, como me ensinaram? Ou é preciso mesmo existir uma distância empregado/patrão, como dizem outros? Ou esse foi um caso singular?
Aprendi que a luta de classes começa dentro de nossa casa, e mais especificamente, dentro da geladeira. E enquanto o mundo não muda, passei a comprar queijo de Minas, que além de tudo não engorda.

Terça-feira, Janeiro 11, 2011

O fim da Era Barradas


Restam imagens esgarçadas da primeira vez que desci no Barradão em 1992, sei que Dão marcou no 1x0 sobre o Remo, na arrancada para retornar a primeira divisão. Já em 1994 lembro de mais detalhes na inauguração das atuais arquibancadas e do sistema de iluminação: com direito a gol de Ramon, 2x0 no Timbú. Sou torcedor do Vitória privilegiado, comecei a acompanhar o time sistematicamente em 1992 com Zé Roberto e Arthurzinho e após a perda dos títulos nacionais (1992-3) e estaduais (1993-4), ambos na velha Fonte, ia para o Barradão crédulo que as montanhas de lixo, povoadas de porcos, ratos, cachorros e família inteiras, iam dar espaço a conquistas mais importantes que o título estadual sobre o Galícia em 1995.

Lembro como comemorei exageradamente o primeiro título da era Barradão. Era certeza de futuro glorioso ao torcedor que percebia as reformas e a higienização do Santuário Rubro-Negro. A sensação de que ali éramos invencíveis foi estimulada pelo surgimento dos Os Imbatíveis, que no ano de 1999 dava demonstrações como empurrar um time mesmo tecnicamente inferior e atrás por 2x0 no placar, aquela moquequinha não parou de gritar e o Vitória virou por 5x4 no Vasco. Ha, perdemos para o Atlético-MG na semifinal, mas a torcida apoiou o time do começo ao fim, prática pouco comum para arquibancadas tachadas de apáticas pelos próprios torcedores naqueles tempos. Ainda era tempo de ouvir o diálogo:
- Senta! Quero ver o jogo.
- Vou ficar em pé nessa porra, se quiser ficar sentado assista em casa!

Passei a não ouvir mais isso atrás do gol que dá para o Flamboyant a partir de então. Mas ao perdemos a vaga na final da Copa do Brasil em 2004, com uma derrota dentro do Barradas, debaixo do favoritismo, um sentimento fúnebre se alastrou por toda Canabrava até sermos rebaixados pela Ponte Preta dentro de casa. Durante a Série B, mesmo com o time mais caro do campeonato, nada empolgava a torcida e alguma coisa me fez evitar o Barradão no 3x3 com a Portuguesa e na perda do título para o Colo-Colo. Só retornei ao Santuário na 2º fase da Terceirona, sabe lá porque, mais apaixonado do que nunca pelo Vitória.

Era o fim da era Paulo Carneiro que se anunciava: a valorização do torcedor. Nem notamos que perdemos para o rival dentro de casa na fase final e subimos no mesmo sono (ou sonho) para Série A e tivemos o gosto de sermos quase imbatíveis em casa nos torneios de 2008 e 2009. Continuavámos a não ganhar do rival em casa. Na Copa do Brasil de 2010 alguma coisa dizia que aquele time limitado ia nos vingar de todos os azares ao levantar o caneco no Barradão. Cheirava a título a forma como a bolava entrou sem méritos contra o Vasco e não entrou, perto do fim, quando estava 2x0 no Atlético-GO.

O Santos deixou nos pés de nossos jogadores o título no jogo de volta. Ha, a primeira final nacional dentro do Barradão. Como era esperado esse dia em cada travesseiro rubro-negro. Tinhamos cânticos de arrepiar qualquer espinha pelo país, um time guerreiro, determinado ao título como nunca antes. Mas aí Schwenck e Júnior foram perdendo gols, o jogo foi correndo... e terminou, com um triunfo para amansar a alma, mas não de levantar defunto. Fomos perdendo e empatando jogos o Barradão até ser novamente rebaixado, pela terceira vez, dentro do Manoel Barradas.

Vai lá que futebol precisa de magia e que em 2011 milagres podem acontecer. Mas sinceramente, não acredito, irei a estréia no dia 16 de janeiro por mera rendição a esse amor vermelho e preto. Não acredito no Barradão, na torcida ou qualquer outra mística que me dê esperança. Nem no título da Série B ou estadual. Vou ao estádio sabendo que desde 2004 Paulo Carneiro já anunciava o fim da Era Barradão. Lembrem que a promessa era uma nova arena na Paralela. Sua loucura, ganância e falhas na gestão humana e financeira foram responsáveis pelas quedas seguidas. Poucos torcedores querem ouvir falar nesse nome, mas é fato que seu lado visionário faz falta na gestão.

Hoje temos uma administração que tornou o Vitória um Naútico, Fortaleza ou Paysandu. É incrível como jogadores debandam do elenco da forma mais desrespeitosa possível. Não temos nenhum projeto que atraia investidores ou sonhos. Os times que detinham os melhores caixas na década de 1990 eram o Criciúma e Paraná lembram? O que representam ambos para o futebol brasileiro hoje? O São Caetano era o modelo de salários baixos e bons resultados nos anos 2000, o que é hoje o São Caetano? Pensamento tacanho esse de Alexi Portela, sanar as dívidas para depois tornar o time vencedor. Essa economia de palito nos fez perder um paliteiro inteiro em 2011, 2012, 2013... ou alguém ainda tem dúvidas dos impactos financeiros do rebaixamento? Mas parece que nada aconteceu entre os Conselheiros que podem estacionar os carros importados dentro do estádio.

Antônio Lopes pode ser campeão do mundo pelo Vitória, mas preferiria um treinador no estilo de Ney Franco ou Dorival Júnior, treinadores capazes de realizar inovações, antenados com o futuro, carregado de sonhos. Alexi Portela se vangloria de ser filho de alguém que dizem ter ajudado muito o Vitória, mas essa elite aristocrática baiana é uma viúva falida que mantém a pose ao tomar café com pães da Favorita com o padre Sadock no Instituto Feminino ou no Museu Carlos Costa Pinto.

O Barradão é um estádio ultrapassado há muito tempo. Seu mérito inicial foi torná-lo patrimônio do clube, apto a colher receitas e estimular paixões. Além disso foi construído numa região recém hiper povoada da cidade, angariou novos torcedores, hábitos e paixões. Hoje o torcedor está cansado de atravessar a cidade engarrafada e ainda ter que enfrentar a letargia das vias de Cajazeiras, Flamboyant, Trobogy ou São Rafael. As linhas de ônibus são promessas vãs, assim como a nova via, prometida pelo prefeito maluquinho João Henrique, parente daquele que deu nome ao estádio (me desculpem os espíritas, mas um parente desse prefeito não merece ter o nome do nosso estádio).

É preciso varrer esses sobrenomes: Barradas, Portela, Tanajura e etc. Se alguma coisa o Barradão nos deixa irreverssível é tornar-se um dos maiores clubes de massa do país e do mundo. Ou vocês acham que o Manchester City tem mais torcedores que o Vitória? É a torcida que nos mantém grande hoje (sei que radialistas e jornalistas são incapazes de tal valorização por comparações indevidas com o rival). Gente no mundo contemporâneo é sinônimo de dinheiro, ainda mais num país de classes emergentes, ainda de hábitos voluvéis de consumo. O Barradão não é um atrativo de lazer pujante, mas decadadente. O sistema de segurança é parco, os estacionamentos, costumeiros nas calçadas, com o retrovisor do carro passando de fininho com ônibus e caminhões de lixo.

O Santos e Corinthians preparam se mudar para estádios próprios em regiões periféricas da Grande São Paulo, sabem bem onde circula o novo dinheiro nacional e que sistemas de metrô modernos resolvem a locomoção. Infelizmente perdemos o bonde, agora só nos resta abençoar a nova Fonte como futura casa. Poderíamos estar hoje com estádio próprio moderno e se duvidar, poderia ser o estádio baiano da Copa. Ha, a insanidade de Paulo Carneiro (PC) o fez meter os pés pelas mãos. Mas ainda há tempo de se colocar a frente da história.

Hoje prefiro que o Vitória seja administrado por uma cooperativa de chineses que detém restaurantes entre a praça da Piedade e o Largo Dois de Julho do que essa aristocracia falida (por favor, não confundam chineses do Centro com um 'nissei' chamado Yamato. sic!). Dizem as más (ou boas?) línguas que PC queria vender o time para árabes, indianos ou russos. Talvez uma figura dessa possa transformar o time vencedor de títulos nacionais com um marketing digno e promessas mirabolantes, como a Cidade Incolor.

Futebol é um negócio internacional vinculado ao sistema financeiro, tráfico, marcas, imagem, signos. Não achem que isso será resolvido com André Curvello, responsável direto pela reeleição de João Henrique, ao estabelescer uma relação duvidosa com os veículos de comunicação locais. Ele é um competente assessor para pensamentos mesquinhos como do atual prefeito de Salvador: "Tome obra, tome obra..."

Ha, enquanto os chineses, russos ou árabes não vêem, lá vou pro lançamento do Movimento Somos Mais Vitória. Quem sabe um pouco de democracia nos retorne para a primeira divisão e a competitividade, pelo menos dentro de casa na Série A. Porque enquanto tivemos como estádio esse Barradas estaremos fadados ao fracasso.

Quinta-feira, Fevereiro 18, 2010

o rebolation é bom

bota a mão na cabeça que vai começar
o rebolation...

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ni aprendeu um monte de coisa bacana sobre o carnaval com um renomado professor de cultura. mesmo assim ela continuava a ter pitadas de preconceito sobre o a festa baiana e vida citadina em salvador. criada nas ruas de olinda e nos palcos do recife antigo, é cheia de discursos de como poder público pode e deve intervir na folia e na cidade. "deveria diminuir a largura das cordas nas ruas"; "o camarote poderia ocupar menos espaço na calçada" e etc.

num dia de carnaval baixou um milton santos para debatermos que salvador gira em torno do capital especulativo. pagar cerca de mil reais por dia no camaleão ou num camarote all inclusive é pura especulação. e esse mercado foi fundamental para o crescimento da festa. segundo dados do governo do estado o folião gastou em 2009 uma média de R$ 72,00 por dia na avenida. o do bloco R$ 162,00; camarotes R$ 112,00; e R$ 31, 00 pipoca. no total R$ 127,7 milhões foram gastos. a pesquisa é restrita ao residentes na cidade e aponta que os gastos não são relacionados com renda mensal.

o fato é que o poder público municipal, maior responsável em arrecadar e coordenar o carnaval perdeu o controle para esse capital especulativo. os trios param o tempo que acharem necessário nas torres de tv e camarotes. as cordas apertam a pipoca nos momentos mais curtos do asfalto e colocam a quantidade de camisas que lhe convir. ninguém coordena, ao ponto da terça os próprios artistas reclamarem entre eles pela demora no circuito barra-ondina, a prefeitura é tratada como corpo inerte.

os discursos de ni são válidos, mas se não focarem esses fatores econômicos ficam ao léu. os barões do carnaval dificilmente vão aceitar quaisquer interferências nas suas ações. o modelo pernambuco de financiamento gratuito e conseqüente interferência não me parece o ideal. é preciso que a prefeitura também arrecade, em especial com os patrocinadores, e a partir daí intervenha com vigor nos barões do axé. não só isso, tenha também capacidade de publicizar melhor o retorno triunfal de morais moreira ao lado da guitarra vibrante do filho davi; uma programação vastíssima nos circuitos alternativos, com rock, samba de roda, marchinhas, blocos afros e etc. tudo escondido pelo chiclete, ivete, asa e afins.

ao final, no arrastão da timbalada, eu queria acompanhar carlinhos brown ao lado do olodum e o galo da madrugada. ni, foi enfática: "ele vai tocar frevo e não estou afim de ouvir frevo". pelo menos do preconceito ela se desfez neste carnaval do rebolation.

Quarta-feira, Fevereiro 17, 2010

na base do beijo e da porrada

Quando eu te pegar você vai ver, você vai ver
Ai de ti, ai de ti.
Vai se amarrar só querer saber de mim
Você vai se dar bem e eu também
Você vai se dar bem e eu também

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no carnaval soteropolitano de 2010 o governo do estado aprendeu, um pouquinho, a fazer carnaval. os trios independentes com o slogan "terra de todos nós" conseguiram dar alguma esperança de dias melhores na hegemonia dos camarotes, blocos de cordas e artistas do jabá. pude ver elza soares, com a voz intacta e a coluna bamba; baby e paulinho ganharem um trocadinho relembrando sucessos dos novos baianos; la pupunha ao lado dos retrofoguetes.

não só nesses trios, no geral os rios de dinheiro injetado na publicidade deram certo na festa momesca e na disputa com o prefeito do pmdb, joão bobão, wagner conseguiu sair melhor na finta. teve inserção na mudança do garcia, na saída ilê e não saiu vaiado, como o prefeito no domingo da festa, em pleno campo grande.

porém, da janela da casa de ni, vejo nesse momento uma cerimônia de encerramento dos trabalhos do batalhão especial da política militar com o secretário de segurança, césar nunes. na frente o slogan "bahia na luta pela paz". patético, hipócrita. a polícia assassina do governo foi o que mais amedontrou neste ano. os milhões da avenida aprendem paulatinamente a conviver com civilidade, mas a polícia continua a bater nos jovens negros com seus bonés e bermudas de "brown". vi, da saída dos mascarados, na quinta, até o arrastão da timbalada, na quarta, atitudes grosseiras e acima de tudo desnecessárias da pm baiana. violência gratuita, sádica.

o clima autoritário, ou melhor, facista, impregna a tudo e todos, aquele que apanha sem pudor, revida do mesmo modo, por razões que os psicólogos devem explicar melhor. basta dar alguma autoridade e instrumentos de coerção para os milhares de seguranças da folia que eles reproduzem o que o governo lhe deixa de exemplo.

meu primo lula deu uma boa sugestão: "basta instruir a polícia a sorrir". trabalhar sorrindo talvez fosse um bom caminho. quem sabe um dia pm deixa de agir na base da porrada e age na base do beijo, como incitou ivete.